domingo, 28 de outubro de 2012

Alinhando o caminho!




Certo dia estive fazendo uma palestra no SESC de Araranguá. E antes de iniciar a palestra, uma pessoa chegou até mim me questionando se era eu quem havia feito uma publicação com determinada posição política. De início me vi com medo, surpreso e nervoso. Minha reação foi de me defender e dizer que eu não estava ali para discutir aquilo. Sempre que eu escolho receber algo como ataque, me ponho no papel de vítima e começo a me defender. Defesa e ataque são a mesma coisa! A vítima e o algoz são o mesmo. Precisei de alguns instantes para me recuperar e convidá-lo para conversar fora do auditório. Foi então que sentamos num sofá e neste momento eu já estava pronto para ouvi-lo, sem tomar como pessoal as suas palavras. Aprendi a fazer isso através da Comunicação Não-Violenta. Ele começou a manifestar suas idéias, seus valores, suas necessidades, seus sentimentos. Aprendi que, se formos realmente capazes de escutar os sentimentos que estão sendo ditos por debaixo das palavras, não iremos tomar nada como pessoal. Então procurei afinar meu ouvido, de modo a torná-lo imparcial, captando aquilo que nos tornava iguais: a dor, o medo de um ser humano que estava vendo seus valores e necessidades entrarem em choque com os valores e necessidades de outro ser humano. Depois de ele manifestar seu ponto de vista, seu desconforto, esperei o instante de poder falar. Foi então que eu disse: Você está se sentindo muito chateado, não é mesmo? Naquele momento, eu precisava ajudar a pessoa a definir a sua experiência:- “Você está bravo, não está? Você está com dor, certo?” Definir é essencial. Assim, a pessoa transfere a raiz do problema, que julga estar no outro, de volta a si própria. “O problema não está no outro, que pensa diferente. É você que está machucado, é você que está chateado. E, sim, eu entendo a sua emoção!”. No momento em que a pessoa se sente compreendida e reconhecida, sua raiva gradualmente se desvanece. Ao abraçar uma emoção com compreensão e compaixão, mudamos o foco de atenção do exterior para o interior, e aprendemos a nos responsabilizar pela emoção. Naturalmente eu o vi entrar num outro assunto: "Sabe que eu trabalho com música, dou aula pra crianças, etc." Finalizamos a conversa com uma troca de abraços e ele foi embora, nem ficando para a palestra.
Aprendi uma lição importante: mudar o caminho! Não tenho capacidade pra lidar com a energia de medo e luta que vi se colar em mim, e se isto está acontecendo é porque eu tenho coisas por dentro onde elas podem se agarrar. E foi muito libertador tomar consciência disso e escolher outro caminho!
Tiago Bueno

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