domingo, 28 de outubro de 2012

Inadequado "rio do tempo"




Busquei beber no rio do tempo, é claro

Mas enquanto tomava da sua água

Via seu leito arenoso e percebia como era raso

E por mais que buscasse consagrar minha vida diária à 

rotina

E calcar fundo os pés na lama e no pântano da opinião


Do preconceito e da tradição


Nunca me adaptava à ordem existente

Eu era movido pelo Espírito do Vale

E fui feito por aquilo de que tinha sede


Solitário, tímido, envergonhado


desde cedo já era diferente

E concluía que algo de terrivelmente errado comigo existia

Eu era feito por aquilo de que tinha sede

Conservei as curiosidades da adolescência

E me interroguei sobre as questões primordiais

Quem sou eu? De onde eu vim? Para onde vou?

Muito mais importante para mim era saber o que nunca 

envelhecia

Eu era feito por aquilo de que tinha sede


A vida me estimulava a encontrar meu próprio caminho


E foi no auge de meu desespero


Bem quando não via futuro, saída ou solução

Que conheci a verdadeira autorização


O Espírito do Vale de mim se apossou


E em mim renasceu a energia do coração


Agora já não era mais tímido nem envergonhado


Comecei a gritar aos ventos meu conhecimento interior


E honrar minhas verdadeiras inclinações


E aquilo que fazia de mim algo tão estranho


Tão diferente


Tão inadequado


Passou a ser o meu lugar único


Meu papel único


E neste local exclusivo


Cumprindo meu papel exclusivo


A corrente rala do rio deslizou


Foi embora


A eternidade ficou


Minha sede então finalmente foi saciada


Encontrou dentro da minha estranheza


Dentro da minha diferença e inadequação


Quem Eu realmente Sou



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Autor: Tiago Bueno

E-mail: tbcsol@gmail.com

Fone e whatsapp: 51- 98177893



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