domingo, 28 de outubro de 2012

Você e o abacate


      Todo ser humano tem o interesse em se descobrir e experimentar seu real potencial. Guardamos a saudade de um estado de consciência em que consigamos ser quem realmente somos. Ser quem você é significa encontrar sua verdade mais profunda. E a sua verdade é essa: você é um ser especial, poderoso, criado à imagem e semelhança de Deus. Portanto possui dentro de si as qualidades originais de Deus: amor, paz, poder espiritual, felicidade, pureza, sabedoria, etc.

A questão é que, apesar de sabermos disso, como podemos manifestar em nossas vidas estes atributos? Esta pergunta nos leva a explorar a semelhança que temos com o abacate. Acompanhe-me, por gentileza.




    O abacate possui 70% do seu peso contido na polpa do fruto. Aproximadamente 29% se referem ao caroço e talvez 1% se refira à casca. No caroço se encontram todas as informações vinculadas à origem do abacate. Através dele, é possível que a magia da vida se expanda e se multiplique em outros abacateiros.

   Se não soubéssemos o que há dentro do abacate, o descreveríamos somente através da superfície. Diríamos, por exemplo, que é algo verde e cascudo.

   Da mesma forma, com o ser humano acontece algo semelhante. Possuímos dentro de nós uma camada de consciência que é original, divina, pura e íntegra, e que guarda as informações concernentes à nossa origem e natureza verdadeira. Este é o nosso núcleo divino e sua localização se dá no coração (o caroço do abacate). O coração é a sede dos sentimentos de compaixão, unidade, segurança e amor incondicional. Para ativar este centro íntimo e viver a partir dele, é sugerido a prática diária de afirmações, oração, meditação e, principalmente, escutar a linguagem da alma que fala através das emoções e sentimentos.

              Envolvendo nosso núcleo divino existe uma camada psicológica onde estão guardadas as memórias adquiridas ao longo de todas as nossas vidas sobre a Terra. Chamamos esta camada psicológica de “Criança Interior”. Ela é a parte que evolui e aprende, por assim dizer, ao longo do tempo e espaço. Em analogia com o abacate, seria a polpa da fruta.  

             Já o ego é a casca do abacate. É a superfície da nossa consciência, o aspecto externo e voltado para fora. Ele é apenas uma ferramenta de contato com o mundo exterior. Ele serve para traduzir os impulsos da alma (parte imaterial) para a reino físico (matéria), e por isso possui grande importância. 

             Vivendo num estado de ignorância, sem saber
quem realmente somos, costumamos apoiar nossa consciência  sobre o ego e assim passamos a nos identificar a partir de aspectos externos da personalidade. Por exemplo: eu sou o Matheus, meu sexo é masculino, minha profissão é agricultor, sou pai de família, sou casado, sou solteiro, sou doente, sou saudável, sou rico, sou pobre, sou negro, sou branco, sou egoísta, sou virtuoso, etc.

             Quando isto acontece, nossa consciência fica presa em uma gangorra, subindo e descendo, conforme os altos e baixos da dualidade em que vivemos. 




               O ponto de saída desta gangorra se dá quando voltamos a re-conhecer quem realmente somos e assim apoiamos novamente nossa consciência sobre o ponto fixo e imutável no centro da "gangorra", o nosso coração. Ali está nossa verdadeira natureza. 

              Ao estabilizarmos nossa consciência sobre o ponto fixo e imutável no centro da "gangorra" (coração), nossa auto-estima ganha estabilidade e consistência. Antes disso, ela simplesmente está baseada em aspectos temporários, como imagens e valores externos a nós mesmos, o que nos leva a buscar obter controle e poder sobre as coisas, situações e pessoas. 


A metáfora do abacate


       Eu havia recém me desprendido do abacateiro. Por isso, ainda carregava comigo o frescor da experiência de unidade, segurança e amor incondicional que o abacateiro me proporcionava. Isto fazia-me ainda experimentar a vida como se estivesse num paraíso, mesmo estando fora da experiência que a árvore me dava. Alguns interpretaram minha queda do abacateiro como um pecado, mas foi apenas algo natural. Eu fiz aquilo com o propósito de multiplicar e expandir a perfeição do abacateiro.


Dentro de mim havia um caroço. Este caroço era o âmago do meu ser, meu coração. Nele havia o conhecimento profundo de quem eu era, da força infinita que havia em meu ser e do pertencimento à árvore. Por isto, eu vivia num estado semelhante ao de uma criança pequena que observa o mundo com os olhos bem abertos, expressando curiosidade e inocência.

Aos poucos, porém, eu comecei a rolar e fui me afastando da minha origem, a árvore. Isto me deu uma grande dor e sentimento de solidão, o que gerou confusão e desorientação, nas camadas externas do meu ser(ego). Deste modo ficou difícil eu conseguir manter-me em contato com o meu caroço, com meu conhecimento interior e âmago, no qual eu podia saber que “tudo estava bem”. Essa área atormentada, que surgiu nesse momento, faz parte da minha criança interior.

A partir daí, minha consciência permaneceu nas camadas externas do meu ser, como que apoiada sobre a casca, onde passou a ser dirigida por padrões de pensamento e comportamento orientados pelo medo. Por isso, eu dificilmente estava presente nas coisas que fazia ou sentia.

Comecei, então, a não saber mais quem eu realmente era, nem de onde havia vindo. Eu havia perdido o contato com o meu caroço e passei a me identificar completamente com a casca. Minha atenção agora estava voltada somente para o mundo de fora. Este desconhecimento e ignorância a meu respeito gerou muito medo dentro de mim. Um medo e uma dor inconsciente de não voltar mais a experimentar o amor incondicional, o sentimento de unidade e segurança que a experiência da árvore me proporcionou uma vez. O medo profundo gerou a necessidade de obter controle sobre os outros e sobre as situações. A necessidade de controle gerou, por sua vez, a disputa pelo poder. A disputa pelo poder armou o palco para todos os tipos de conflitos. Desta forma, eu tenho disputado o amor, a atenção e o reconhecimento de outras frutas para mim. Isto alivia minhas necessidades apenas momentaneamente. Logo, logo, eu tenho que me esforçar mais e mais para ser melhor, de modo a receber reconhecimento e ganhar migalhas de atenção das outras frutas.

Todo este trabalho começou a me dar um forte sentimento de vazio e cansaço, pois provocava muitos desentendimentos e tristeza. Outrossim, o reconhecimento exterior passou a não mais satisfazer minhas necessidades. Foi então que, em determinado momento, uma dor intensa, provocada pelo rompimento de meu namoro com uma melancia, causou-me um desgosto tão grande que comecei a questionar todo aquele estado de coisas. Perguntas filosóficas profundas a respeito da vida invadiram-me o pensamento, ao mesmo tempo que um estado de caos e confusão arrebatou-me a existência. Tudo isso levou-me a dar um passo mais para trás, um passo para dentro, um passo nas profundezas de mim mesmo. Neste instante, me abri para a possibilidade de haver algo maior.

Novas frutas, então, passaram a constituir meu círculo de amizade, trazendo-me conhecimentos maiores sobre mim mesmo, bem como sobre o universo em que eu estava inserido.
Minha visão sobre mim mesmo aumentou, de tal forma que reconheci novamente o meu caroço, o meu âmago, e aprendi meios para apoiar minha consciência sobre ele. Quando isto aconteceu, uma sabedoria inata brotou novamente, trazendo-me também o reconhecimento da minha “Criança interior”, e de que forma eu poderia lidar com ela. Fui capaz de perdoar a mim mesmo, pois entendi que não era mau, nem ruim, mas apenas sentia medo. Minha criança interior sentia o medo da solidão, da falta de amor e da segurança emocional que uma vez ela experimentou como autoevidente, antes de sofrer com a separação da árvore.

Isto me permitiu abrir-me ainda mais para a alegria de me libertar do julgamento. Desde então, já não precisava mais julgar nem a mim mesmo nem aos outros. Passei a curar minhas feridas internas, a voltar a ser espontâneo e, sobretudo, a ser guiado por um conhecimento intuitivo natural que me dizia que “tudo estava bem”, mesmo em meio a situações adversas. O perdão de mim mesmo e dos outros fez com que o mundo da luta e da dor viesse a ser um mundo de glória, maravilhoso de se ver. Cada flor agora brilhava na luz e cada pássaro cantava a alegria do Céu. Não existia mais tristeza e não existia mais separação, pois todas as coisas eram totalmente perdoadas. E o que foi perdoado tem que se unir, pois nada se interpõe entre eles para mantê-los separados e à parte. Os milagres que o perdão trouxe me aprontou para cumprir minha missão. Chegou a hora de me multiplicar e expandir a espécie dos abacateiros.

Autor: Tiago Bueno

E-mail: tbcsol@gmail.com

Fone e whatsapp: 51- 98177893







2 comentários:

  1. Como é bom encontrar alguém que cultiva a delicadeza... Obrigada.



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  2. Que história linda. Gratidão pelas belas palavras. Me senti imensamente conectada. Mensagem sentida até o caroço. Viva os abacates.

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