domingo, 28 de outubro de 2012

Conquistando sua liberdade interior

  

                 Aos poucos estamos criando uma cultura que irá nos preparar para entrar em contato com nós mesmos e compreender nossas reais necessidades. É um contramovimento ao qual somos frequentemente expostos.

                Uma formação cultural que bloqueia ativamente essa nova consciência, geralmente nos ensina a nos afastarmos de emoções negativas. Nos sugere para sermos positivos; para fazermos o melhor; sermos úteis, etc. Estes tipos de conselhos e invocações, apesar de responderem a um ideal, acabam por criar, em nosso interior, um medo de nossa própria sombra, o que nos torna alienados de nossos sentimentos mais profundos. 

                 O que ocorre é que essas áreas, dentro de nós mesmos, acabam vivendo uma vida paralela, abafada, obscura, sendo rejeitadas, isoladas e desaprovadas. A criança, em nossa cultura, geralmente cresce aprendendo a ter vergonha de si mesma, o que faz com que perca seu poder pessoal e autoestima. Portanto, há verdadeiro progresso quando ela se rebela e consegue dizer: “Não me importo com o que você diz ou pensa a meu respeito. Eu não vou ter vergonha de mim.” Ela começa então a abandonar a ideia de si como vergonhosa e má, e isto também quer dizer que aqueles sentimentos que antes estavam reprovados no seu interior, agora podem começar a vir à tona para serem acolhidos e aceitos. Assumir a liberdade de ser quem se é, é o mesmo que resgatar seu poder pessoal. 

                Esta liberdade de ser si mesma é uma liberdade cheia de responsabilidade, e alguém que procura atingi-la, quase sempre o faz com receio e sem confiança alguma. A pessoa precisa atravessar os vales internos de autodúvida e solidão, antes que consiga abrir um novo horizonte nas formas velhas de pensar e sentir, que lhe foram impostas. Nesta etapa, há a experiência de uma austeridade, onde você se sente com medo, vulnerável e sem qualquer apoio. Porém, sente também crescer em si a força e o próprio poder. 

                 Embora isto não aconteça facilmente, o indivíduo precisa se rebelar e partir ao encontro das suas próprias necessidades e de como atendê-las, o que requer ir contra aquilo que lhe ensinaram: a ser dócil, submisso à autoridade, obediente, bela, recatada e do lar. Este tipo de educação serve para reforçar o "status quo". Porém quando se parte em direção à liberdade de ser quem se é, o indivíduo não está mais interessado em reproduzir o "status quo". Surge nele uma rebeldia sagrada, uma espécie de loucura, que não admite mais, por exemplo, que o conhecimento lhe seja empurrado como uma verdade pré-estabelecida. Ele anseia por um conhecimento que o desafie a encontrar suas próprias respostas e soluções, de modo a construir sua autonomia. 

                 Por ser um caminho onde não haverá glorificação para ele, mas apenas àqueles que se adaptam bem às expectativas do mundo externo, que se esquecem de si mesmos e que perdem o contato com a energia original das suas almas, há um anseio por voltar às antigas formas confortáveis que lhe ensinaram. Porém esta é a trajetória do herói, que não mais serve para ser influenciado pelas exigências e padrões da sociedade. Assim, seu comportamento deixa de se basear em modelos externos que o mercado impõe, e passa a se basear nas suas próprias e verdadeiras necessidades. 

                  E isto é algo fundamental para a derrubada de uma sociedade baseada na hierarquia e na dominação. Nestas sociedades, indivíduos são treinados para se esquecerem de si mesmos, de modo que passem a consultar instâncias exteriores – as autoridades – a fim de saber a definição do que se deve fazer, do que constitui o certo, o errado, o bom e o mau.

                             
                 Dar um passo para dentro, uma passo para trás, um passo nas profundezas e se libertar das estruturas de pensamento e sentimento que moldaram nossas vidas, permite encontrar a nós mesmos e acessar nossa verdadeira natureza. Os antigos filósofos gregos tiveram uma premonição a respeito dessa natureza verdadeira do ser humano, o qual denominaram de "ataraxia", que quer dizer "imperturbabilidade". Nossa natureza inata é imperturbável, pacífica e compassiva. À medida que encontramos ela, podemos nos libertar das correntes de pensamento que nos levam a escravizar outros seres.




            Autor: Tiago Bueno

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