domingo, 28 de outubro de 2012

Libertando-se do julgamento


Tenho sentido a necessidade de me libertar do uso de julgamento com relação às coisas que entram em choque com aquilo que eu valorizo e necessito. Sempre que julgamos, nos emaranhamos com a energia daquilo que não desejamos e, dessa forma, aumentamos a sua força, ao invés de diminuí-la. E isso eu percebo que não é uma tendência apenas minha. Ocorre de modo geral. Temos a tendência a combater as energias que desejamos superar. Temos a tendência de nos aborrecer com a escuridão, de nos zangarmos por causa dela, e a nossa reação é combatê-la. O paradoxo é que queremos combater as energias egoístas através da luta, a própria energia que desejamos abandonar. Algo tem me ajudado a sair deste jogo e eu gostaria de compartilhar: tenho me permitido, por assim dizer, conhecer o meu lado sombrio, aceitando que também eu já fiz o papel de agressor. Estou ousando reconhecer esta energia sombria dentro de mim, sempre que começo a dizer que tudo está errado e sentindo-me um estranho no planeta, alienado e sem lar. Quando isso acontece comigo, tenho procurado fazer contato com a energia do infrator e do algoz dentro de mim. Tenho me permitido acessar essa energia em minha memória, e sentindo que eu também já fui isso, e inclusive que isso estava bem para mim. Sentir nossa energia de infrator, algoz e agressor, trazendo para a consciência que já fizemos este papel também, nos permite ficar mais equilibrados. Ao permitirmos que isto faça parte da nossa consciência, abrimos o portal para a maior sabedoria que podemos abraçar em nossas vidas: a sabedoria do não-julgamento. É como se chegássemos a um acordo com nossa própria escuridão interna, nos encontrando com ela. E este é o nosso verdadeiro trabalho com a luz: responsabilizar-nos por nosso lado escuro. Ao nos conscientizarmos de nosso lado 'escuro", deixamos de julgar se os outros estão certos ou errados, ou até de julgar a nós mesmos. Todos os motivos para julgamentos caem por terra. O julgamento dá lugar à compreensão e à compaixão. E de fato eu quero isto: ação compassiva!
Tiago Bueno

Nenhum comentário:

Postar um comentário