domingo, 28 de outubro de 2012

A jornada do autoconhecimento...



Sempre chega um momento em nossas vidas onde começamos a fazer uma transformação. Quando as coisas de fora já não nos preenchem mais, chega o sagrado momento do "vazio". O "vazio" é um momento bendito, apesar de dolorido. É neste ponto da jornada que as chamadas perguntas perenes invadem nossa consciência: "Quem sou eu?", "De onde eu vim?", "Qual é o propósito de minha vida?" Neste ponto, costumam aparecer pessoas novas, capazes de indicar o caminho interno como a possibilidade para descobrirmos o "TESOURO" que somos, apesar de, sinceramente, duvidarmos disso. À medida, porém, em que começamos a explorar o nível interno de nós mesmos, nossa consciência se expande e se divide em duas. Parece que uma parte de nossa alma almeja a verdade e a luz, enquanto outra finca o pé na escuridão. Sentimentos de dor, raiva, solidão e medo, podem aflorar, intensamente, já que constituem partes escondidas e muitas vezes negadas dentro do ser humano. Quando começamos a jogar luz para dentro de nós, as sombras naturalmente emergem e são trazidas à Luz do dia. E isto tem um efeito de reviravolta em nossa consciência. Podemos também ficar amedrontados e transtornados. Estas partes dentro de nós que sobreviviam a agiam a partir da escuridão, quando vêm à consciência, geralmente derrubam conceitos fixos que tínhamos a nosso respeito, o que acaba gerando muita ansiedade, por vezes. Você poderá perder o controle completamente sobre a sua vida. Aliás, ela poderá virar de cabeça pra baixo. Isto é muito natural, já que à medida em que mexemos por dentro, as mudanças ocorrem também por fora. Portanto, é aconselhável não querer fazer uma imagem falsa de si, do tipo que nega o que sente. Devemos aprender a admitir nosso pior e nos responsabilizarmos por ele, sem perder a fé em nós mesmos, prosseguindo na jornada com coragem para descobrir o tal tesouro escondido em nosso interior, a nossa própria divindade. Haverá momentos de fôlego, em que sentimos a fragrância do Lar novamente. Sentimentos de unidade, paz e segurança, com certeza aportarão às margens de nossas almas sedentas. Mas lembre-se: o aspecto central não é querer atingir a luz a todo custo, e, sim, aprender a estender a mão para sua própria dor e escuridão, sem julgá-la. Esta habilidade deve ser conquistada como parte importantíssima da jornada. Quando aprendermos a estender a mão para nossa própria escuridão interior, sem julgá-la, começamos a adentrar o reino do coração.



Escutando outros...


Um aprendizado que a Comunicação Não-Violenta propõe é o de estarmos presentes para os outros, e isso está ligado a um sentimento de caráter bem neutro. Representa um nível de imparcialidade, no qual liberamos o desejo pessoal de transformar ou “curar” os outros. É claro que isto é bem desafiador!!! Ainda mais se temos o hábito de achar que sabemos o que seria bom pra vida das outras pessoas dar certo ou melhorar. Sempre que me coloco nesta posição, minha comunicação com os outros se torna parecida com um plástico, anti-natural. Me sinto separado dos outros e falso naquilo que estou fazendo. E isso acontece toda vez que quero que as pessoas mudem, porque dessa forma não estou num espaço de amor e tolerância. As pessoas sentem isto.



Um trabalho solitário: acolher nossa escuridão...

Somos seres multifacetados realmente. Integrar estas diferentes faces que existem dentro de nós requer compreensão, delicadeza, e acredito que isso é luz. Todo acontecimento é importante e muitas vezes é no corpo que vemos algumas facetas nossas querendo se expressar, dizendo: "Tá sendo muito difícil pra mim". Um ouvido atento, uma atenção consciente, empática, permite-nos levar luz a estas áreas que precisam receber claridade, compreensão, ajuda. Repudio conceitos que pregam uma natureza ruim, má, no ser humano. Vejo, sim, que há muitas partes perdidas, sós, necessitadas, e que buscam sobreviver a partir da sombra, gerando comportamentos que muitas vezes nos afastam mais ainda da luz. Entrar em contato com elas e acolhê-las requer tempo, disposição e principalmente intimidade. E acho que este é um trabalho importante e muitas vezes solitário.



Criar um diálogo interno...


Na minha experiência, o uso da vontade e da força realmente não servem, quando se trata de mudança interior. A delicadeza e a compreensão, sim! Quando dedico algum tempo de intimidade comigo mesmo, aprendendo a ser gentil, empático e paciente com as partes dentro de mim que mais me causam dor e frustração, é que consigo revelações únicas, capazes de mudar minha percepção sobre mim mesmo. Tenho dedicado tempo para comigo, para criar um diálogo interno que seja acolhedor. Acredito que ao termos compaixão e acolhimento com as partes mais difíceis dentro de nós mesmos, conseguimos refletir isto nas nossas relações. O contrário também é verdadeiro.




Fazendo o que nos dá prazer...

Olhando para trás, é possível agora parabenizar-me por não ter cometido suicídio, ao longo de tantos anos em que procurei adaptar-me às exigências da sociedade. Com o passar do tempo, aprende-se a finalmente estar consigo. E julgo que há nisto um grande valor. Quantos sonhos frustrados, falidos, derrotados, e de dor em dor, chega-se ao dia, ao sagrado dia, em que consigo escutar minha própria tristeza. Ah, querida, tu és a mensageira da alma, dizendo: "faz apenas o que te dá prazer, pois é por ali que o divino desce à Terra". E há nisso um certo "rito de passagem", onde atravessamos, com certa austeridade, os vales internos de autodúvida e solidão, antes que se possa alcançar um novo nível de autoconfiança. Hoje em dia acredito piamente o quão valioso é ouvir as emoções e sentimentos. É claro que se você fizer isso irá se perder, não saber o que fazer, chorar, frustrar-se, até que aos poucos irá largar o controle da vida e deixar ela possa te dirigir. Isso vai contra tudo aquilo que aprendemos, mas prefiro, depois de anos, fazer da minha experiência a única autoridade em minha vida. Confio que a criança e o visionário interior sabem muito bem como levar-me para além das obrigações e regras de certo e errado que costumam aprisionar a cabeça de um adulto, de modo que eu possa oferecer algo único que só minha alma pode dar ao mundo. A sociedade espera por nós, espera por pessoas inspiradas, capaz de desobedecê-la, de romper com o velho e criar o novo. Chegou a nossa vez!


Autor: Tiago Bueno

E-mail: tbcsol@gmail.com

Fone e whatsapp: 51- 98177893




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