domingo, 28 de outubro de 2012

Comunicação Não-Violenta dentro das Escolas!

Por Tiago Bueno






O resgate do humanismo, através de uma forma moderna conhecida como Comunicação Não-violenta, tem alcançado uma aceitação ímpar dentro das escolas, devido à força da sua simplicidade. Os alunos e professores que aderem aos encontros de Comunicação Não-Violenta se autoeducam escutando as necessidades uns dos outros, que são as necessidades que o século exige.

Um encontro de Comunicação Não-Violenta promove uma experiência profunda de aceitação e intimidade das pessoas que participam dele, o que fornece um aprendizado muito mais significativo do que uma aula com conteúdo de autoconhecimento.



Algo eu tenho encontrado como recorrente nas falas dos alunos: sua relação com os pais e/ou responsáveis, onde observam ter muita dificuldade de diálogo. Por isso, dentro de casa, muitos recorrem ao silêncio e distanciamento afetivo, como forma de se defender e se proteger dos julgamentos recebidos. Muitos também relatam passar por uma luta interna com uma autoimagem muito baixa, onde enfrentam períodos de autodúvida, angústia e solidão. Uma jovem contou-nos o seguinte:



(...) Eu achei que essa “aula” foi boa porque a gente pode falar tudo o que a gente sente e também da nossa família. Porque eu com a minha família não posso me abrir, pelo menos parece que minha família não dá muita bola pra mim. Enfim, eu achei muito boa a aula e inclusive eu chorei muito. E quando eu cheguei na minha casa, minha mãe me perguntou por que eu tava chorando. Dai falei que a gente teve uma aula e pode falar do que a gente sentia na nossa família. Dai ela perguntou o que eu sentia da minha família. Eu falei que eu me sentia sozinha. Dai a gente começou a conversar e nós duas começamos a chorar (...)



Por isso montamos um formato diferenciado, ao qual denominamos “Processos Circulares”, onde:
• Todos sejam respeitados dentro de uma atmosfera de não-julgamento (um encontro verdadeiro consigo mesmo e com as outras pessoas só é possível onde há uma base com ausência de julgamento);
• Todos tenham igual oportunidade de falar sem serem interrompidos;
• Os participantes se apresentam e falam de sentimentos e necessidades;
• Todos são iguais. Ninguém é mais importante que o outro;
• Aspectos emocionais da experiência individual são acolhidos;
Os processos circulares de Comunicação Não-Violenta são fortes o suficiente para acolher:
• Raiva;
• Frustração;
• Alegria;
• Dor;
• Verdade;
• Conflito;
• Visões de mundo diferentes;
• Sentimentos fortes;
• Silêncio;



De forma muito simples e profunda, o acesso ao autoconhecimento, desenvolvimento de habilidades humanas básicas como a empatia, compreensão e inteligência emocional, é possibilitado dentro dos processos circulares de Comunicação Não-Violenta. Nestes encontros, que diferem de aulas expositivas, não é a perspectiva teórica, habilidades de diagnóstico, ou treinamento profissional que possibilitam ao facilitador comunicar certas condições ao grupo, para que neste se crie uma base de total ausência de julgamento. Ele precisa carregar consigo uma genuidade com empatia e não-avaliação, de modo a disponibilizar isto ao grupo. Ao acontecer isto, os aspectos únicos e de mais pessoal em cada um dos participantes podem vir à luz, sendo expressos. Quando uma partilha deste tipo acontece, ela fala mais profundamente aos outros. E, geralmente, aquilo que é mais pessoal num indivíduo, também o é de mais geral no grupo. Por isso, a aceitação e compreensão oferecida a quem se expressa dentro do círculo, é recebida por todos os demais. E quanto mais um indivíduo é aceito e compreendido, maior será a sua tendência para abandonar as defesas que empregou para enfrentar a vida.

Os processos circulares tendem a crescer em espiral, na medida em que os participantes vão se sentindo confiantes, aceitos e compreendidos, suas defesas empregadas ao longo da vida para se proteger pouco a pouco vão dando lugar a níveis cada vez mais altos de genuína autenticidade.

Autor: Tiago Bueno

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