domingo, 28 de outubro de 2012

Pedidos Vs Exigências


Certamente muitos de nós já se viram diante de uma resposta negativa, frente a um pedido. E é nestes momentos que podemos descobrir se realmente estamos pedindo algo ou se estamos exigindo. Há uma diferença enorme entre estes dois termos, que podemos até mesmo considerar um abismo. Se realmente estamos pedindo algo, damos a plena liberdade de escolha à outra pessoa, de modo que ela possa dizer "sim" ou "não". Caso a resposta seja negativa, não ficaremos com raiva ou revoltados, pois um pedido implica em liberdade à outra pessoa. Já quando estamos exigindo, receber um "Não" nos coloca em contato com feridas emocionais internas, onde somos facilmente abalados emocionalmente, indicando que, num nível mais profundo, existe uma verdadeira desconsideração por nós mesmos, de modo que interpretamos esse momento específico como sendo uma rejeição. Alguém que já tenha feito um trabalho interno de encarar, aceitar, acolher e curar suas feridas emocionais, dificilmente irá considerar um "não" como algo pessoal. Não se sentirá atingido e muito menos ansioso para reagir. A pessoa deixará aquilo passar com mais facilidade, e desaparecerá a necessidade de atacar ou se afirmar. Durante os encontros dos grupos de Comunicação Não-Violenta, muitos de nós se dão conta de que aprenderam a atender os pedidos das outras pessoas sendo motivados por meio do medo, da culpa ou da vergonha. Talvez desde criança você tenha ouvido expressões do tipo: "Papai e mamãe ficam tristes quando você tira notas baixas", aprendendo, assim, que a responsabilidade pelos sentimentos negativos de seus pais eram de sua responsabilidade. Isto se chama "mecanismo de motivação pela culpa", e é algo que campeia livremente em nossas instituições. Quando você quer que alguém atenda suas necessidades, basta motivá-lo(a) atribuindo a ele(a) a responsabilidade pelos seus sentimentos: "Eu me sinto triste por você não ter me ligado ontem". Se for uma pessoa "obediente", ela irá facilmente se sentir culpada, pensado "oh, eu deveria ter ligado para ele, pois acabei lhe deixando triste". Agora, se for uma pessoa independente, ela não irá tomar as emoções do outro como algo pessoal, pois sabe que cada um é o único responsável por aquilo que escolheu sentir. Não está ali para preencher um vazio na vida do outro. Quando exigimos algo de alguém, queremos fazer com que essa pessoa seja nossa escrava. E para saber isso, se você pretende ter escravos para si, basta prestar atenção aos seus sentimentos quando receber um "não". Você ficou com raiva, revoltado ou furioso? Se sim, você quer escravos, pois não estava pedindo de verdade, estava exigindo e mandando. É comum que nossos pedidos sejam feitos através de exigência, pois vivemos dentro de uma cultura cuja linguagem está estruturada sobre o ataque e defesa. Tanto o algoz quanto a vítima querem fazer escravos. Enquanto estivermos em qualquer um dos dois papéis, não há liberdade. É preciso sair deste jogo, caso queiramos ser livres!
Tiago Bueno

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