domingo, 22 de maio de 2011

Por aquilo que nos torna iguais!



Acredito que uma das finalidades de estarmos aqui nesta Terra é o de crescermos em compreensão. Por isso, hoje, decidi ir visitar o acampamento feito em homenagem ao Juiz Sergio Moro, que funciona no Parcão, em Porto Alegre. Resolvi fazer isto justamente porque tenho passado por ali com certa hostilidade dentro de mim. Meus valores políticos são outros. Apoio o Lula e quero a permanência da Dilma. Meus valores e idéias podem criar dentro de mim hostilidade e fazer que cresça a separação, caso eu não desafie esta minha crença de que todas as outras pessoas deviam sentir, pensar e acreditar nas mesmas coisas que eu. 

Abrir-me para ouvir as pessoas, aceitá-las e permitir que elas possam ter escolhas diferentes das minhas passou a ser um aprendizado fundamental.

 Tenho procurado reconhecer que essas diferenças que separam os indivíduos, o direito que cada pessoa tem de utilizar sua experiência da maneira que lhe é própria e de descobrir o seu próprio significado nela, tudo isto representa as potencialidades mais preciosas da vida. Por isso, algo inusitado acontece toda vez que deixo de lado a tentativa de moldar os outros aos meus objetivos: encontro seres humanos iguais a mim, com as mesmas necessidades. Talvez com estratégias e formas diferentes de atendê-las, mas com as mesmas necessidades.

 Lá no acampamento em homenagem ao Juiz Sérgio Moura, vi e ouvi pais e mães falarem sobre seus filhos; vi e ouvi seres humanos insatisfeitos, com raiva, tristes, alegres, como eu me encontro muitas vezes; vi seres humanos unidos, acampados, passando noites e dias, embaixo de sol e chuva, movidos por uma comunhão de idéias e princípios, diferentes dos meus é claro, mas com as mesmas necessidades. 

Conseguir me abrir para compreender alguém que pensa diferente de mim não é fácil, porém possui um enorme valor. Se me permito realmente compreender uma outra pessoa, corro o risco de que essa compreensão acarrete uma alteração em mim. E todos nós temos medo de mudar. 

Quanto mais me disponho a ser simplesmente eu mesmo em toda a complexidade da vida e quanto mais procuro compreender e aceitar a realidade em mim mesmo e nos outros, descubro que não somente eu mudo, mas que as pessoas com quem me relaciono mudam igualmente. Elas podem ser quem elas são na minha presença, e eu posso ser igualmente livre na presença delas. 

Nossa vontade, se for inspirada pelo desejo de ter poder sobre os outros, querendo que eles mudem ou sejam diferentes do que são, provavelmente criará separação e hostilidade. Porém, se for inspirada pelo coração, criará o desejo por unidade. Acredito que passarei por ali novamente vendo agora seres humanos como eu. Seguirei apoiando o Lula e a Dilma, mas desejo crescer em compreensão e sair de mim para ir ao encontro do outro e escutá-lo, sem julgá-lo, é algo que me desafia e preciso aprender cada vez mais!



Autor: Tiago Bueno

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