segunda-feira, 25 de abril de 2011

Metáfora da Águia e da Galinha




“Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros.

Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
       
        - Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia.
      
         - De fato – disse o camponês. É águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.
      
           - Não – retrucou o naturalista. Ela é e sempre será uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.
      
          - Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.
      
          Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse:
      
         - Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!
       
           A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.
       
          O camponês comentou:
      
         - Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
       
         - Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.
       
          No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe:
      
          - Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!
       
         Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.
       
          O camponês sorriu e voltou à carga:
      
          - Eu lhe havia dito, ela virou galinha!
      
          - Não – respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.
      
            No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para fora da cidade, longe das casa dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas.
       
          O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
      
          - Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
       
          A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
      
           Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez para mais alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do firmamento...”
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O Naturalista, nesta metáfora, representa alguém que nos abre a lembrança de nossa real identidade ou natureza verdadeira. Relembra-nos de nossa beleza perfeita, da nossa força e inocência:

- Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia. Ela é e sempre será uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.

Ele encoraja o pássaro a reassumir o seu poder interior e não aceita a sugestão de que ele é pequeno, necessitado e dependente de alguém mais.  Somos seres grandiosos e poderosos (águias). Essa realidade e verdade habita nosso âmago e coração.

A Águia é a verdadeira natureza do pássaro que foi domesticado e “transformado” em galinha, pelo camponês. A ignorância se tornou o estado atual do pássaro que esqueceu quem ele realmente é. A ignorância gerou o medo (galinha). E o medo (galinha) encobriu sua verdade mais grandiosa (águia).

O pássaro sentindo-se impotente e perdido, entrega-se e coloca o Ego (camponês) no comando. A causa mais profunda é que a ave se sentia desconectada do seu verdadeiro ser, da centelha de luz divina (Águia) que ela realmente é.

O Ego (camponês), então, oferece ao pássaro uma saída e solução ao seu estado de impotência. Ele procura resolver o problema voltando a consciência da ave para o exterior, para fora. Sua promessa é a de aliviar a dor interna, alimentando a ave com energias externas. Promete trazer do mundo de fora as energias de amor e segurança que o pássaro tanto busca. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas e lhe dá milho e ração própria para galinhas. A grande ave passa a viver lá embaixo, ciscando grãos, embora fosse o rei/rainha de todos os pássaros.

O naturalista, porém, procede de modo absolutamente contrário. Ele sentiu a força indestrutível  e enxergou a essência verdadeira do pássaro. Ele invocou essa essência e a convidou a se apresentar:

- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!

Ele percebeu o verdadeiro poder e a luz interior daquele pássaro. Isso é como chamá-lo por seu nome verdadeiro. Não há nada mais poderoso do que ser chamado por seu nome verdadeiro.

O naturalista, então, ergueu a águia para o alto, segurou-a firmemente, bem na direção do sol (divindade), para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte. Nesse instante, ela reconheceu quem realmente era e desfez seus laços de dependência. Ultrapassou suas limitações auto-impostas e foi ser tudo o que ela podia ser. Tornou-se uno com a centelha de Deus no seu coração, conectando-se com sua natureza divina e única. Voou para o mundo, indo cantar a canção exclusiva de sua alma.

Tiago Bueno Camargo


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