sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Prepare-se emocionalmente


Os monstros existem. Os fantasmas também.
Eles vivem dentro de nós e às vezes eles ganham.
(Stephen King)
         
     É pedido uma certa disciplina àqueles que desejam preparar-se emocionalmente. E a disciplina é realmente esta: demitir o mundo exterior da responsabilidade por todas as suas emoções. Este é um trabalho que requer atenção em si mesmo e também intimidade. Você começa a recuperar seu poder quando traz de volta para si a responsabilidade por sua vida interior. Neste sentido, é importante saber qual o tipo de pai ou mãe você tem sido para si próprio, para sua criança interior:

     Simplista:
·        Não dá importância aos sentimentos da criança interior;
·        Ignora os sentimentos da criança interior;
· Quer que as emoções negativas da criança interior desapareçam logo;
· Costuma tentar se distrair para esquecer as próprias emoções;
·   Demonstra pouco interesse no que a criança interior está tentando comunicar;
·        É incapaz de perceber as próprias emoções;
·        Sente-se aborrecido com as emoções da criança interior;
·        Tem medo de se descontrolar emocionalmente;
·    Dá mais importância à superação que ao significado das emoções;
· Acha que as emoções negativas são prejudiciais ou “tóxicas”;
·  Acha que ficar pensando nas emoções negativas só vai “piorar as coisas”;
·        Não sabe o que fazer com as emoções da criança interior;
· Vê as emoções da criança interior como algo a ser consertado;
·   Acha que as emoções negativas mostram que a criança interior está desajustada;

    Efeitos deste estilo sobre a criança interior: Ela aprende que seus sentimentos são errados, impróprios, inadequados. Pode aprender que há algo intrinsecamente errado com ela por causa do que ela sente. Pode ter dificuldade em regular as próprias emoções.

     Desaprovador:
·        Julga e critica a expressão emocional da criança interior;
·        Está preocupado demais com a necessidade de controlar as emoções da criança interior;
·     Acha que as emoções negativas precisam ser “controladas”;
· Acha que as emoções negativas refletem deficiência de caráter;
·  Acha que as emoções negativas são improdutivas, uma perda de tempo;


            Efeitos deste estilo sobre a criança interior: Os mesmos que os do estilo simplista.

     Liberal:
·  Acha que pouco se pode fazer a respeito das emoções negativas, a não ser afastá-las;
·        Acha que administrar emoções negativas é uma questão de hidráulica; basta liberar a emoção;
·        Não confrontam as emoções, são permissivos;


            Efeitos deste estilo sobre a criança interior: Não aprende a regular as emoções.

          
             Preparador emocional:
· Vê nas emoções negativas da criança interior uma oportunidade de intimidade;
·    É capaz de perder tempo com sua criança interior triste, irritada ou assustada; não se impacienta com a emoção;
·        Percebe e valoriza as emoções;
·    Vê nas emoções negativas uma oportunidade importante para agir como educador de si;
·  É sensível aos estados emocionais da criança interior, mesmo sutis;
·        Não diz como a criança interior “deve” se sentir;
·   Não sente que precisa resolver todos os problemas da criança interior;
·        Usa os momentos de emoção para:
- escutar a criança interior;
- demonstrar empatia com palavras tranquilizadoras e afeição;
- ajuda a criança interior a nomear a emoção que ela está sentindo;

            Efeitos deste estilo sobre a criança interior: Você aprende a confiar em seus sentimentos, regular as próprias emoções e resolver problemas. Tem autoestima elevada, facilidade de aprender e de se relacionar com as pessoas.

        Agora iremos descrever os passos que você poderá utilizar para guiar o diálogo com sua criança interior. É importante saber que partes suas, que talvez se encontrem perdidas ou escondidas na escuridão, virão à luz, causando caos na sua vida e em suas relações. Você, por exemplo, poderá deixar de fazer coisas que fazia só para agradar outras pessoas; começará a dizer não e estabelecer limites claros nos seus relacionamentos; bem como deixará tudo aquilo que já não condizem com os desejos do seu coração. As mudanças externas serão decorrentes das transformações interiores. Os passos compreendem:

1) Perceber e observar a emoção da criança interior;

2) Reconhecer a emoção como uma oportunidade de intimidade com sua criança interior;

3) Demitir o mundo externo como responsável pela emoção observada;

4) Imaginar uma criança na tela da sua mente e refletir, através de uma pergunta, o que ela está sentindo. P.ex: Você está triste?

5) Permitir que ela se expresse livremente e, depois disso, ligue a emoção à uma necessidade que por ventura não esteja sendo atendida. P.ex: Você está se sentindo triste porque se sente sozinha, é isto? Quer dizer que você sente necessidade de uma companhia, de sentir amada?

6)  Depois de identificar a emoção e a necessidade ligada a ela, reforce que você a ama do jeito que ela é e não tente fazer com que a criança interior saia daquele estado emocional. Se tentar fazer isto, cairá na resistência às partes dentro de você que se encontram sozinhas e com medo. E isto faz com que elas se “endureçam”. Lembre-se que a criança interior precisa confiar em você para poder vir à luz. Caso contrário, ela voltará para a escuridão;

7) Este diálogo tende a se desenvolver à medida que for praticado. Você deverá chegar ao núcleo de medo que é o principal motivador das dores da sua criança interior. Quando estiver pronto a enfrentá-lo, começará a encontrar também aquilo que o faz sonhar, sua paixão;

8) Sob o núcleo de medo, existem partes da alma que se acham completamente sem valor, que não se sentem boas o suficiente para receber amor e felicidade. É preciso chegar até elas e permitir que sejam ouvidas. Quando isto acontecer, lembre-se que a remodelação de uma energia estagnada dependerá da sua boa vontade em escutá-la;    

Leia também: O conhecimento de Si 

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