sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Vivendo a partir do coração

                           
“Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos”  S. Exupéry

         
       Estamos todos caminhando para apoiarmos nossas consciências novamente sobre nossos corações. Começar a viver a partir deste centro íntimo de força, poder, amor e sabedoria requer que aprendamos a desacelerar nosso ritmo mental. A prática da meditação e da oração diária é importante para isto.

      Quando estamos com a consciência apoiada sobre o ego, o fluxo de nossos pensamentos é acelerado, tenso e agitado. Dificilmente tiramos tempo para ficarmos quietos, em silêncio, pois isto significa olhar de frente para o que está do lado de dentro. Todos nós somos seres grandiosos, divinos, perfeitos e maravilhosos. Sempre fomos e sempre seremos isto. No entanto, o fato é que envolvendo a nossa natureza verdadeira, nosso centro íntimo, há uma camada emocional escura de muito medo.

     Esta camada de medo é o nosso lado sombrio  que tanto tememos. E é o principal motivador de todos os nossos pensamentos, palavras e atitudes, quando apoiamos nossas consciências sobre o ego. Atitudes baseadas no ego tornam-se evidentes pela não aceitação da realidade. Permita-me dar um exemplo, por favor. Nos dias em que passei junto a meu pai, consegui perceber meu interesse em querer melhorar os hábitos alimentares dele, entre outras coisas mais. Por várias vezes contive o impulso de querer dar dicas, de querer que o outro enxergasse a partir da minha perspectiva, de querer que meu pai mudasse seu ponto de vista e até mesmo comportamento. Foi então que pensei: Por que não deixá-lo? Por que não permitir que ele seja amado e aceito da forma como ele é? Talvez ele nunca tenha recebido a aceitação incondicional de alguém. Por que eu não desisto da minha vontade de querer que as coisas e pessoas se comportem segundo minhas estreitas perspectivas do que é certo ou errado? Por que não as amo do jeito que são? Por que não deixo a realidade ser como ela é?
         
              A verdadeira força - refletia eu - não está em jogar a realidade para um lado ao invés de para o outro, em dividi-la no que é certo ou no que é errado. A verdadeira força não está em emitir julgamentos e pareceres definitivos a cerca das pessoas e situações. A verdadeira força está em agir apoiado em seu coração, pois ele é o único capaz de enfrentar tudo o que existe e apenas observar. Sim, agir com base no seu coração significa atuar a partir de um local livre, desimpedido de medos e crenças. É voltar àquele seu estado inocente, comparável ao de uma criança que está no mundo apenas para se divertir e compartilhar com os outros da sua alegria, imaginação e entusiasmo.
           
              Já agir apoiado no ego é basear-se num conjunto estreito de crenças que, fundamentalmente, limitam a realidade, dividindo-a entre certo ou errado. Esta forma de atuar é movida pelo medo, visto que ela adora estipular modelos e padrões a serem seguidos. Os regimes ditatoriais se baseiam nisso, por exemplo. Isto fica bem claro quando algo ou alguém não age da forma como gostaríamos, principalmente quando é por uma "boa causa". Os sentimentos de impaciência e raiva saltam, aparecem claramente aos nossos olhos, mostrando-nos o medo que sentimos de que as coisas fujam ao nosso controle.

              Eu gosto de estar ao lado de crianças e talvez você também goste. Elas permitem que você seja você. A energia do seu coração também atua desta forma. Ela nunca irá querer que você mude, mas apenas que olhe para si mesmo com aceitação. E isto é algo novo. Simplesmente não sabemos como fazê-lo. É preciso pesquisar, experimentar e aprender. 
  
             Nunca fomos ruins, intolerantes, arrogantes, egoístas, depressivos, fracassados, maus, etc. Não, nunca fomos isto. Estes rótulos servem apenas para cortar a empatia e aumentar as hostilidades. No entanto, se percebermos que o motivador principal de todas as expressões de consciência baseadas no ego tem sua origem no medo, podemos resgatar aquele olhar compassivo, capaz de enxergar nossas próprias aflições e frustrações como alguém que está pronto para acolher e curar algo doentio. E esta é a sua maestria. Responsabilizar-se por sua dor e curá-la. 

            É importante ficarmos atentos aos nossos sentimentos. Ao fazermos isto, permitimos que a mágica da vida funcione e os milagres aconteçam. É possível, por exemplo, reconhecermos o medo que sentimos de sermos rejeitados, de não sermos amados, de sermos abandonados, de não termos poder algum sobre a realidade, quando emoções de irritação e raiva se manifestam. Elas surgem através da crítica, de querer culpar alguém, ou simplesmente pela nossa impaciência, evidenciada pela não aceitação da realidade. Após observar a emoção e enxergar o núcleo de medo que a motiva, é sugestivo um treinamento. Sim, treinar deixar tudo aquilo que tememos perder. Talvez eu tema perder o poder e controle sobre meu pai, quando sinto vontade de que ele atue de outra forma com meu irmão. Talvez eu tema olhar de frente o medo que sinto de ser rejeitado e não amado, sempre que fujo das situações em que minha imagem possa vir a ser desconsiderada. Aliás, quantas oportunidades eu já abandonei dessa forma. Enfim, cada um de nós precisa fazer suas anotações em relação à forma como reage. Isto permite tornar transparente aos nossos olhos o núcleo de medo que é o gerador de pensamentos, emoções e atitudes baseadas no ego. E tudo o que fica transparente aos nossos olhos pode ser abandonado, se assim o quisermos. 
    
         Simplesmente e o mais importante é lembrar-se que você não está errado por sentir o que sente! Seja apenas o responsável por tudo o que lhe acontece. Acolha seus sentimentos e retire-se para junto da natureza, quando for preciso acalmar-se. Aproveite a vida! Curta as pessoas como elas são. Faça o exercício de amá-las sem querer que sejam diferentes. Principalmente ame a si mesmo(a) do jeito que é.  Dessa forma, a vida e as pessoas lhe retribuirão o amor que você dá a si própria(o). Você está aqui para ser apenas você, esta criança feliz e inocente de Deus, e receber o melhor!


Autor: Tiago Bueno Camargo


Continua



Voltar ao inicio

Nenhum comentário:

Postar um comentário